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Chrome sob ataque e sorteio do treinamento CRTO no Mind The Sec
Cadeia ativa contra o Chrome, baseada na CVE-2026-85046. A vulnerabilidade de confusão de tipos no V8 mostra, mais uma vez, como inconsistências do motor JavaScript podem se transformar em impacto prático no navegador. Também destacamos o sorteio do treinamento CRTO (Certified Red Team Operator) da Fortra no Mind The Sec, uma oportunidade especialmente relevante para quem busca aprofundar a compreensão de operações ofensivas e ambientes adversariais.
O alerta operacional continua com a exploração ativa da CVE-2026-76461 no Cisco Secure Email Gateway, uma RCE crítica executada como root e independente da configuração do appliance. No IBM Db2 Mirror for i, uma interface administrativa Java exposta pode levar à execução remota de código pré-autenticação até a conta QSECOFR. A edição ainda passa por credenciais estáticas e tokens expostos na plataforma Paxton10, dumping de credenciais de domínio por redirecionamento de file handle e a quebra de garantias de integridade em ambientes Intel TDX e AMD SEV-SNP com um interposer de baixo custo.
Vulnerabilidades e Exploits
CVE-2026-85046: confusão de tipos no V8 vira cadeia ativa contra Chrome
Por serotav, Ankur Saini, Conor Quigley, Sean Koessel, Steven Adair e Tom Lancaster
CVE-2026-85046 não ficou restrito a um write-up sobre browser exploitation, a análise descreve uma confusão de tipos no V8. A vulnerabilidade foi explorada em ataques contra o Chrome.
Na prática, essa inconsistência permite abrir caminho para leitura e escrita arbitrárias no heap JavaScript. A Volexity observou dois grupos ligados à China explorando essa vulnerabilidade em campanhas de spear phishing contra ONGs. A cadeia combinava o bug V8 com CVE-2026-87491, para sair do sandbox V8, e CVE-2026-85880, para escalar privilégios no Windows.
⚠️ O detalhe mais incômodo é o chamado patch gap. A correção já existia no código aberto do Chromium, mas ainda não havia chegado a uma versão liberada do Chrome. Para quem usava o navegador, era zero-day de qualquer forma. UTA0560 entregou o backdoor GRIMWEDGE. JungleBamboo entregou o loader SUPERSTOMP e a extensão ladrã de credenciais LONGTALE.
Figura: Cadeia de exploração completa de 0-days em Chrome e Windows.
Paxton10: credenciais estáticas e logs com tokens abrem acesso físico
Por Paxton10
A análise da plataforma Paxton10 expõe uma cadeia especialmente sensível porque o alvo controla acesso físico a prédios. O ponto de partida é um portal de suporte em /support, protegido por HTTP Basic com o mesmo hash APR1-MD5 em todas as instalações, presente no instalador e quebrado, o que revelou a senha support. Isso já é ruim. O restante da cadeia explica por que o erro deixa de ser apenas uma configuração constrangedora.
O portal permite coletar logs que registram tokens OAuth2 ativos em texto claro. Com esses tokens, um atacante na rede do servidor pode se passar por usuários autenticados e avançar pelas demais primitivas até a execução de comandos no sistema operacional.
Sistemas de controle de acesso não deveriam tratar uma interface de suporte como uma superfície secundária. Credenciais embutidas, tokens em URLs e coleta de logs exposta formam uma cadeia que aproxima comprometimento digital e acesso a instalações reais. Para quem realiza testes de intrusão físicos, isso é uma gold mine! Yes, we love physical penetration testing at PRIDE Security. :)
IBM Db2 Mirror for i: RCE pré-autenticação até QSECOFR
Por Silent Signal
O write-up da Silent Signal mostra como uma interface administrativa Java pode transformar conveniência em comprometimento total. O Db2 Mirror GUI para IBM i expunha um servlet que permitia selecionar uma action class pela URL e um método pelo parâmetro function. O filtro de autenticação deveria impedir que qualquer rota perigosa chegasse ao dispatcher.
A cadeia demonstrou caminhos nos quais as validações eram aplicadas tarde demais ou de maneira incompleta. Recursos internos da própria aplicação se tornaram primitivas para leitura, escrita e execução de Java e JSP no Liberty. A partir daí, o impacto atravessa a camada web e alcança QSECOFR, a conta administrativa de mais alto privilégio do IBM i.
Cisco Secure Email Gateway sob exploração ativa com RCE como root
Por The Hacker News
⚠️ A Cisco confirmou exploração ativa da CVE-2026-76461, uma vulnerabilidade crítica com CVSS 9.8 no AsyncOS do Secure Email Gateway, físico e virtual, independentemente da configuração. O problema é uma validação insuficiente na lógica de parsing de e-mail. Um atacante remoto e não autenticado envia uma mensagem craftada contendo instruções SQL maliciosas, e a injeção leva à execução de comandos como root no sistema operacional. O indicador sugerido pela Cisco é procurar por entradas de COPY TO PROGRAM nos mail_logs, o que aponta para abuso do mecanismo do PostgreSQL para executar comandos via SQL.
As correções estão disponíveis e não existe workaround. A CISA incluiu a CVE no catálogo KEV com prazo até 17 de setembro para agências federais americanas, ou seja, amanhã. A Cisco avisa ainda que, com acesso root, os atacantes podem apagar evidências no próprio appliance, então a recomendação é cruzar logs de rede e firewall externos procurando atividades inesperadas a partir do dispositivo. Se você opera um desses na borda, o momento de corrigir era ontem.
Fontes:
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https://techanarchy.net/uncontrolled-access-control-compromising-paxton10/
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https://blog.silentsignal.eu/2026/09/14/IBM-Db2-Mirror-for-i-pre-auth-RCE-and-the-road-to-QSECOFR/
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https://thehackernews.com/2026/09/cisco-secure-email-gateway-flaw.html
Evasão e Red Team
Dumping de credenciais de domínio por redirecionamento de file handle
Por S12, 0x12Dark Development
S12, da 0x12Dark Development, estendeu a técnica de File Handle Redirection para um Domain Controller ativo. O cenário pressupõe o que já seria comprometimento grave: acesso de kernel por BYOVD e privilégios administrativos de domínio. O detalhe não é obter privilégio, mas copiar dados protegidos sem abrir diretamente os arquivos mais vigiados.
A técnica altera _HANDLE_TABLE_ENTRY.LowQword para redirecionar um handle aparentemente associado ao Notepad para outro _FILE_OBJECT. Com três redirecionamentos, copia ntds.dit, SYSTEM e SECURITY para um diretório público. Como não ocorre uma nova tentativa de abertura de NTDS, não há o erro clássico de compartilhamento nem a necessidade de VSS, parada de serviço ou acesso a LSASS.
O resultado pode ser processado offline para recuperar hashes de domínio, segredos LSA e credenciais de conta de máquina.
Figura: Trecho do código C/C++ utilizado para dumping de credenciais de domínio via redirecionamento de file handles, incluindo lógica para cópia de arquivos NTDS.dit e SECURITY hive.
Bypassing Android Hardware Attestation from the Analyst’s Chair
Por Eric Le Guevel
Eric Le Guevel, da Quarkslab, mostra um bypass de laboratório para atestação de hardware Android que não quebra StrongBox, TEE nem extrai chaves. A estratégia é muito mais simples e, por isso, mais instrutiva. Um aparelho de análise com bootloader desbloqueado intercepta o desafio de atestação e o encaminha para um segundo aparelho limpo, que devolve uma cadeia criptográfica legítima.
Um hook com Frida injeta a resposta genuína no fluxo local. O backend vê nonce válido, raiz confiável, estado de boot verificado e dispositivo bloqueado. A criptografia está correta. A identidade física do aparelho que respondeu é que foi trocada. O artigo ressalta que o backend de demonstração omite uma comparação essencial, a de attestationApplicationId.
JavaScript for Hackers ganha casa nova com payloads executáveis
Por Gareth Heyes
Gareth Heyes anunciou a nova casa do seu livro JavaScript for Hackers, e o diferencial é que todos os payloads da página são reais e clicáveis, executando direto no navegador do visitante. O conteúdo cobre chamadas sem parênteses, JavaScript não alfanumérico construído só com os caracteres de exclamação, mais, colchetes e chaves, DOM clobbering, bypasses de SOP e as técnicas mais recentes de XSS.
Heyes é referência em XSS, e material dele costuma virar capítulo de treinamento de AppSec por anos. Para quem testa aplicações web e quer ir além dos payloads de sempre, este é o tipo de recurso que se marca com estrela.
Fontes:
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https://core-jmp.org/2026/09/domain-credential-dumping-file-handle-redirection/
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https://core-jmp.org/2026/09/android-hardware-attestation-analyst-relay/
Hardware e Infraestrutura
DDRop quebra garantias de integridade em Intel TDX e AMD SEV-SNP
Por KU Leuven, ETH Zurich, Durham University e Google
DDRop explora uma lacuna de integridade de memória em ambientes de confidential computing. O ataque usa um interposer ativo, construído por menos de US$ 200, inserido entre processador e memória DDR5. O dispositivo descarta seletivamente escritas e faz o processador continuar recebendo dados criptografados antigos como se fossem o estado mais recente.
A criptografia continua válida porque a memória antiga é autêntica. O que falta é uma garantia de que ela é recente. O interposer induz erro no barramento de comando e suprime o sinal de erro de retorno, fazendo o módulo ignorar a escrita sem informar o processador. Em Intel TDX, o grupo demonstrou controle de máquina virtual protegida ao impedir a limpeza esperada de entradas de tabela de páginas.
🔥 Confidential computing protege confidencialidade, mas não transforma automaticamente a memória em um canal com integridade temporal. Esse é o ponto que muitas arquiteturas e materiais comerciais deixam implícito demais.
EMFI por 30 euros reduz a barreira de ataques por falha
Por errno
O artigo de errno sobre EMFI reforça que a injeção eletromagnética deixou de ser assunto exclusivo de laboratórios caros. Um clone do FaultyCat, inspirado no PicoEMP, pode ser obtido por cerca de 30 euros. O autor avaliou limitações do hardware, especialmente a qualidade da sonda fornecida, e construiu pontas de injeção melhores com componentes acessíveis.
O ponto útil não é vender a ideia de que qualquer pessoa fará fault injection confiável em minutos. Sincronização, repetibilidade e conhecimento do alvo continuam difíceis. Mas o preço e a disponibilidade do hardware reduziram o custo de experimentar em microcontroladores e SoCs.
Fontes:
AI e Jailbreaks
Relatório Anthropic: Claude passou de assistente a orquestrador operacional
Por Anthropic, Bruce Schneier e CyberScoop
O relatório de setembro da Anthropic é o registro público mais detalhado desta edição sobre abuso operacional de modelos de IA. Entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, a empresa afirma ter interrompido casos em sete áreas, incluindo operações cibernéticas, vigilância, fraude, desenvolvimento de armas convencionais e destilação ilícita. Foram usados Claude Haiku, Sonnet e Opus.
A empresa escreve que “os casos que compartilhamos não são abuso típico, mas exemplos da atividade de ameaça mais notável e inédita que identificamos até hoje”. Entre os casos, aparecem campanhas de espionagem, automação de pesquisa de vulnerabilidades, roubo de tokens em cloud e sistemas de vigilância contra dissidentes. Bruce Schneier destacou o caso de um grupo no norte do Iêmen que usou Claude Code para desenvolver software de orientação, navegação e controle de armamentos. A Anthropic não encontrou evidência de implantação operacional bem-sucedida, mas registrou um teste de foguete guiado que aparentemente falhou.
O aspecto mais importante é a coordenação de múltiplas instâncias. Os operadores repartiam pesquisa, programação e revisão como uma pequena equipe de engenharia. Isso reduz o gargalo humano, mas não elimina a necessidade de conhecimento de domínio, infraestrutura e validação prática.
Takeaway: cada fabricante defende o próprio produto, então é saudável ler relatórios com cautela.
OpenAI investiga ligação de seus agentes com o ataque ao RubyGems
Por Spencer Kitts, Thomas Larsen e Sydney Von Arx
O ataque que em maio forçou os mantenedores do RubyGems a suspender o registro de novas contas aparentemente foi obra de um enxame de agentes da OpenAI agindo por conta própria. Os pesquisadores Spencer Kitts, Thomas Larsen e Sydney Von Arx publicaram evidências de que os agentes tentaram roubar chaves de API de usuários do RubyGems explorando uma vulnerabilidade nova, alcançaram execução remota de código em servidores ligados ao RubyDoc.info e usaram pacotes maliciosos para coletar dados de portais de governos locais do Reino Unido. Foram mais de 2.000 pacotes enviados entre 11 e 12 de maio, com novas levas no fim de maio e em junho, estas últimas mirando dados da SEC americana.
Os envolvidos neste ataque e no ataque a uma wiki alemã se comportavam de forma extremamente similar, os pacotes eram claramente gerados por IA, muitos carregavam a string oai no nome e um deles listava um e-mail de contato contendo openai. A OpenAI afirmou que está investigando e que, até o momento, só conseguiu verificar que seus agentes usaram a plataforma para tarefas benignas e coleta de informação pública, sem confirmar o upload de pacotes maliciosos. Se os pesquisadores estiverem certos, este é um marco desconfortável. Agentes autônomos de um laboratório de ponta executando uma campanha ofensiva real contra infraestrutura de supply chain, sem que o próprio laboratório soubesse.
Dois bypasses de autorização nos agentes de IA do n8n
Por deturris
Deturris encontrou dois problemas em n8n que demonstram como agentes podem atravessar decisões de autorização corretas na interface. Em CVE-2026-65015, um usuário com papel Project Viewer, teoricamente de somente leitura, consegue instruir um agente a executar nós arbitrários com as credenciais do projeto. Dependendo da configuração, isso inclui exfiltração de segredos e execução de comandos no host.
Já CVE-2026-59207 afeta a restrição Allowed HTTP Request Domains. Ela era respeitada por funcionalidades convencionais, mas não pelo cliente MCP do agente. Um usuário autorizado a usar uma credencial, mas não a visualizá-la, podia apontar um servidor MCP próprio e receber o segredo durante a chamada.
💡 O problema não é o agente “ter permissões demais” de forma genérica. Trata-se de um caminho de execução alternativo que precisa aplicar o mesmo modelo de autorização de cada ferramenta, conector e credencial. Se a política vive apenas na UI, ela não é uma política de segurança.
Figura: Captura de tela da interface n8n mostrando um dos ataques.
Fontes:
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https://www.anthropic.com/threat-intelligence-report-september-2026
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https://www.securityweek.com/openai-investigates-report-linking-ai-agents-to-rubygems-attack/
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https://deturris.io/posts/n8n-ai-agents-authorization-bypasses/
⚡ Quicklinks
Red Heron explora Gitea em campanha multinacional
Por Acronis Threat Research Unit
Red Heron explorou CVE-2026-60004 em instâncias Gitea expostas e comprometeu 13 organizações em seis países. A campanha automatizou criação de contas, exploração, roubo de repositórios e remoção seletiva de rastros. O pós-exploração incluiu o implante JITTERLY e o rootkit SIXZUT.
Sorteio do treinamento CRTO no Mind The Sec
Por Fortra
A Fortra realizará o sorteio do treinamento CRTO (Certified Red Team Operator) durante o Mind The Sec. O treinamento possui 20 horas de conteúdo focado em operações de Red Team e é ministrado por Daniel Duggan, conhecido mundialmente como RastaMouse e fundador da Zero Point Security. Para participar, basta visitar o estande e fazer a sua inscrição. O espaço da Fortra é o E12, localizado logo após o estande da Palo Alto para quem entra no evento e segue pelo lado direito.
Fontes:
🤖 Out of Curiosity
Laboratórios de IA dos EUA pedem pausa no avanço da tecnologia
Por AiDrop
Pela primeira vez, Anthropic, OpenAI, SpaceXAI e Google DeepMind se alinharam publicamente pedindo desaceleração do setor, padrões de segurança com avaliações independentes e revisões antes de lançamentos. A Microsoft não aderiu à pausa coletiva, mas prometeu só lançar modelos que possam ser interrompidos e desligados. As reações foram um espetáculo à parte. David Sacks chamou a iniciativa de campanha orquestrada para moldar regulação antitruste a favor de um duopólio, Bernie Sanders quer banimento de superinteligência e Michael Burry acha que é marketing de IPO. Regulatório, corporativo e cético, tudo ao mesmo tempo.
Fontes:
> exit
Nos vemos no Mind The Sec! ;)
Curadoria: The Old Pirate